
Esta entrevista é um exemplo do que poderia acontecer no programa "A Liga dos últimos - Brasil". Mais um momento hilariante da Revista Veja...
O índio Pepkrakte Jakukrekaperi, mais conhecido como Zeca Gavião, é presidente e técnico do primeiro time indígena profissional do Brasil, o Gavião Kyikatejê Futebol Clube. Neste ano, a equipe disputou a segunda divisão do campeonato do Pará e ficou com o sexto lugar no torneio.
O que significa o nome do time? Kyikatejê é "povo do rio acima". É assim que minha etnia se autodenomina. E Gavião foi o nome que os homens brancos colocaram na tribo, por causa das penas que usamos no cocar.
Onde vocês treinam? Na aldeia. Temos um campo de tamanho oficial. A gente jogou umas sementes de grama, mas não nasceu nada. O chão é muito duro. Agora que começou a chover, é capaz de ela brotar.
Como é o treinamento? Antes, eu usava métodos indígenas: colocava o pessoal para correr carregando uma tora de 50 quilos nas costas. Depois, mandava todo mundo fazer natação no igarapé. Agora, contratamos um preparador físico que não é índio.
Alguém já tentou comprar seus jogadores? O Clube do Remo queria comprar o Arukapé, mas eu não liberei, porque ele é o nosso melhor atacante.
Todos os jogadores são índios? Todos. Os locutores nunca acertam os nomes. Os que eles mais erram são o do Pryjo e do Kaprektyre.
O senhor se identifica com algum treinador? Com o Andrade, do Flamengo, que é calmo e humilde. Não gosto de técnico escandaloso, que berra na beira do campo.
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