sexta-feira, fevereiro 12

Carnaval






























Éramos cinco almas e nenhuma gostava particularmente do Carnaval. De fantasiar-se, de música brasileira  e de samba então, nem se fala! Há mais de um ano que éramos massacradas com a inevitável pergunta: "A viver no Brasil... então já foram ao Carnaval, não?". Nesse mesmo instante surgia o nosso sorriso simpatia nº1, em resposta ao discurso de sempre: "Como é que vivem no Brasil e ainda não foram ao Carnaval?! Eu ia logo, blá, blá...". Por isso, este ano ficou decidido que íamos ao Carnaval!

Éramos cinco almas cépticas em relação à noite que nos esperava. Duvidávamos que conseguíssemos assistir ao desfile mais do que duas horas. Aliás, achávamos que duas horas de samba vibrando nos tímpanos, devia dar direito a merecer uma medalha. 

O espectáculo só começava na hora de ir para a caminha (11h), mais coisa, menos coisa. Cada escola demorava uma hora a desfilar, e como eram sete, a noite supostamente duraria até às 6 da matina. Ninguém esperava aguentar tanto. Duas escolinhas e o carnaval estava visto, pensávamos nós.

A motivação estava baixa, pois o pessoal estava cansado. O Luís vinha directo do voo do Paraguai para o sambódromo, depois de uma semana a tentar implementar um plano de paz entre paraguaios, argentinos e brasileiros; a P. tinha estado a tentar dominar os mercados durante toda a semana, porque o Obama tinha falado o que não devia; o A. tinha estado a ser torturado numa auditoria e para quem conhece a raça sabe o que isto dói; eu tinha corrido meia São Paulo à procura de uns candeeiros e mal sentia dos dedos, pés, ou pernas; a C. a adaptar-se ao novo ritmo escolar das filhas.  

A verdade foi que ficamos rendidos logo à primeira escola, ao primeiro carro, à primeira batida da música. Cantamos as músicas que não sabíamos, torcemos pelas escolas cujo nome ignorávamos, dançamos o samba que desconhecíamos (até o Luís dançou e dentro do ritmo). Ficamos deslumbrados pela dimensão dos carros alegóricos, pela imaginação dos temas e ritmo das músicas, pelo detalhe e cor das fantasias, pela quantidade de gente que desfilava. 

O Carnaval é um espectáculo muito diferente ao vivo. A imagem de "garotas peladas desfilando" representa apenas 1% do total do desfile e mal dá para vê-las pois estão submersas por câmaras. Viam-se algumas mas os melhores desfiles não precisaram desses truques de efeito rápido (segundo a Patrícia - segundo o Luís elementos essenciais do cortejo...). 

É claro que há rainhas com muito "azar", como a que desfilou no Rio o ano passado, que lhe "caiu" a pouca roupa que tinha e teve que desfilar "pelada", coitadinha... Mas não é que este ano em São Paulo aconteceu a mesma coisa!? Mas como não há duas sem três, aposto que para o ano a "roupa" vai "cair" outra vez.

Aliás, as rainhas e princesas das escolas levam o Carnaval muito a sério. O bum bum tem de estar "bombado", o peito insuflado ai com uns 250 ml, o corpo "turbinado", para "detonar" o desfile. Na minha opinião o corpo fica com um aspecto plástico (o Luís não pode emitir a sua opinião, porque vou publicar esta parte sem ele ler. Hi! Hi! Hi! Hi!). Surpresa foi também, a quantidade de travestis que havia.

Foi um espectáculo lindíssimo. O Carnaval é um espectáculo lindíssimo. Resistimos até às 6h! O A. e a C. até às 8h!

2 comentários:

  1. Finalmente notícias 'frescas' :)
    Estou muito surpreendido com o Luis...a beber uma devassa e a dançar samba !?
    Não sei porquê sempre que vejo fotos destes carnavais associo a gay parade. Talvez porque (como tb referiste) as mulheres parecem artificiais...tipo homens. Se calhar é por nunca ter visto ao vivo (com excepção do carnaval de Ovar...tvz não seja bem igual).
    Seja como for...gostei de voltar a ter notícia vossas :) !

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  2. Espectacular....o carnaval e a patagonia...mas gostava de estar la p ver o Luis a dançar samba??? Gostei muito de ver as fotos. bjs MV

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