






























Infelizmente a Patagónia não "cabe" nas fotos. Não vos posso mostrar a vastidão das planícies, a amplitude da linha de horizonte, o azul irreal do lago Argentino, a "fofura" dos icebergs (autenticas claras as castelo e não calhaus boiantes na água), a grandiosidade das montanhas, o azul intenso formado pelos glaciares brancos, a luz difusa do pôr-do-sol às 10h noite, o vento gélido e cortante na pele. É incrível como é agreste a terra para o corpo mas reconfortante para a alma. Como a alma fica despedaçada quando um enorme iceberg se parte.
A Patagónia fica suspensa no meio da paisagem. Do céu vêem-se linhas na terra dos caminhos que partem de lado nenhum em direcção ao vazio. As placas na estrada indicam a distância não para outras localidades mas para as estradas mais próximas! Sentimos que somos só nós e talvez por isso, muitos escolheram este local para se refugiaram da vida... É a terra dos solitários, aves raras e outras espécies exóticas. Em que o cão é o único mesmo único amigo do homem, só pode! Leiam "Na Patagónia" de Bruce Chatwin e talvez percebam um pouco do que vos falo.
A Patagónia é uma terra sem gentes. Ao contrário de outras viagens os habitantes não foram capturados nas fotos. Sei que não são muitos (8.000 em El Calafate e 86.000 em Ushuaia) mas mesmo assim não estavam nas ruas, à vista de quem passava. Ou talvez, a vida de todos os habitantes seja aturar os turistas 3 meses no ano, como a Paula e o Marcos, que diga-se não eram muito normais. Ela parecia uma menininha fofa e doce, até ao momento em que agarrava o microfone e transmutava-se numa ditadora. Ele, de corpo ausente, caminhava em passos pesados pelo glaciar fora, trauteando uma música imperceptível como se fosse a única coisa se lembrasse.
Resumindo, a viagem em Buenos Aires deu para dar um pezinho de dança. No centro da Patagónia em El Calafate, foi uma deambulação no lago aos aparentes pequenos glaciares; uma jornada à nossa pequenez com a caminhada no glaciar e uma descoberta da imensa fauna que vive intocável nesta terra. Já no sul em Ushuaia ou a terra do fim do mundo (até que a vila concorrente do inimigo mortal Chile cresca e retire o titulo) é isso mesmo: o fim do mundo. Não há nada... Os primeiros habitantes depois dos missionários foram prisioneiros! A Terra do Fogo como também é conhecida esta zona já não tem fogo, porque todos os índios foram extintos só ficou a floresta e a neve no Inverno. Já no canal Beagle, dispersos em diversas ilhas vivem os adoráveis pinguins-que-debaixo-de-água-viram-torpedos e lobo-marinhos dorminhocos. A todos dissemos olá!
Não há palavras que descrevam a beleza da Patagónia. Não há imagem que transmita a imensidão das suas paisagens. Não há relato que reproduza o som dos glaciares.
Finalmente, resta dizer que nesta maravilhosa viagem tivemos a agradável companhia de dois amigos a S. e o R. sem os quais a viagem não teria sido o que foi. Além disso ainda nos visitarem em São Paulo e conhecerem um pouco da nossa vidinha. É verdade, foram as nossas primeiras visitas! E vocês do que estão à espera?
Parabéns! Estão a ser bem sucedidos na vossa tarefa de nos deprimir...vá lá, vão outra vez de férias para outro lugar paradisíaco que nós ficamos por aqui... ;)
ResponderEliminarParece fácil tirar fotos arrebatadoras quando se tem os cenários certos, não é?
Beijinhos e abraços e montes de saudades.